domingo, 8 de março de 2015

Lira do Povo - 2004 - Kátya Teixeira




1 - Ayvu
Kátya Teixeira
2 - Alegria Da Criação / Adeus Oh Serra Da Lapa
José Afonso
3 - Canto de Fé/ Eu sou da lira
Domínio Público - Márcia Accioly - Celso Machado
4 - Maracatu de Brejão dos Negros
Domínio Público
5 - Cantiga Beiradeira
Kátya Teixeira - Juh Vieira
6 - Senhora Rainha/ Sabiá piô/Vila Nova/ Guerrear
Domínio Público 
7 - Rainha das Águas/ Canoa Branca
Vidal França - Rainha das Águas DP/ Adaptação: Kátya Teixeira - Fernando Lona
8 - Meu Canarinho
Domínio Público
9 - Desejo
Kátya Teixeira
10 - Você vai lá pro sertão/ Língua Trovador
Eudes Fraga - Rafael Altério/ Domínio Público
11 - De Kekeke
Domínio Público
12 - Joaninha
Luís Perequê
13 - Estrela D´Alva
Domínio Público
14 - Tava Durumindo/ Candombe de Jequitibá
Domínio Público
15 - Tá Caindo Fulô/ Balainho De Fulô/ Adeus, Adeus/ Qu...
Domínio Público
16 - A Rosa Também Se Muda 
Domínio Público

Músicos

Marquinhos - Cristiano R. T. Bicudo - Dércio Marques - Doroty Marques - Kodo - Pedro Sôssego -Ney Couteiro - Manoel Pacífico - Rodrigo y Castro - Samir - Carol - Mazé - Vidal França - Juh Vieira - Noel Andrade - Daniela Lasalvia - Carmem Pinheiro - Marcelo Pretto - André Venegas - Barbatuques - Fernando Barboza - Barbatuques - Thomas Rohrer - Stênio Mendes - Regina - Leandro - Crianças de Paracambi 

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Lira do Povo é o segundo disco da Kátia Teixeira, que nesse álbum virou Kátya Teixeira. É um trabalho pautado pelas cantorias tradicionais Brasil a dentro. Pretende ser um retrato sonoro das vivências e pesquisas de Kátya em cinco anos de andanças por comunidades e mestres mantenedores das culturas populares. Esse trabalho tem a contribuição de músicos consagrados e mestres da cultura popular. Em 2005 o disco foi indicado ao Prêmio Tim de Música para as categorias de melhor cantora, melhor cantora de voto popular e melhor cd regional. Em nossa modesta opinião, Kátya Teixeira é uma das compositoras e intérpretes da música brasileira das mais vigorosas, autênticas, tão grandiosa como o legado cultural acumulado por nosso povo.

Com tantas recriações para o cancioneiro de Domínio Público presentes no disco, destaco uma composição da moça, faixa instrumental, definida assim nas palavras da autora: "desejo, nasceu do desejo de liberdade e paixão. Galope livre por essas terras tão desconhecidas e tão nossas..."

O Homem Traça diz: ROAM!



Desejo

Katxerê - 1997 - Kátia Teixeira

Postagem original de 28/07/2008


01 - Katxerê
Kátia Teixeira - Vidal França - Mazé
02 - Kararaô
Kátia Teixeira
03 - Aluarados
Vidal França - Karina França
04 - Mãe Áurea
Refrão Folclórico - Versos adaptados por Vidal França
05 - Brincando de roda
Kátia Teixeira - Luis Carlos Bahia
06 - A Lua girou
Folclore BA - Adap. Zé do Norte
07 - Fonte Motriz
Kátia Teixeira
08 - Dia de festa
Irene Portela
09 - Nas teias da renda
Kátia Teixeira - Cátia de França - L. C. Bahia
10 - Passarinheiro
Jean Garfunkel - Pratinha
11 - Alagoano
Kátia Teixeira - Eliezer Teixeira
12 - Rebuliço
Seutônio Sarmento
13 - Anauê
Kátia Teixeira - Vidal França
14 - Chapada dos Guimarães
Renato Garcia
15 - Marianinha
Vidal França - João Bá
16 - Nove Luas
Ney Courteiro - Ekton Silva

Músicos
Cássia Maria - Cláudia Lemos - Daniela Lasalvia - Gabriel Levy - Laura Mac - Lincoln Makiyama - Marcos da Silva - Mazé - Ney Couteiro - Renato Garcia - Rodrigo - Vidal França - Yara Castro

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"Com o devido respeito, Vidal França e Kátia Teixeira entrosam-se perfeitamente. Uma unidade 'zen' de canto e arranjo. O arranjo (canta) e o canto insinua-se arranjo, justo, certo, preciso em unissidade com o devido silêncio. Kátia acompanha Vidal desde menina, nascida de um casal de músicos que se dedica à canção da terra e tem nome de flor do mato. A 'sincronincidência' aqui, dos dois seria inevitável. Digo: um plasmando e expressão do outro, numa lapidação de pura essência. É a simplicidade que Vidal obtém para transmitir a essência deste canto instintivo de Kátia; os timbres exatos dos instrumentos como extensão exata do timbre da voz. A voz, vozes, instrumentos, completam-se aqui, com uma unidade monolítica. Observe que voz e base completam-se num só brilho e emoção da voz que chama, por assim dizer, os timbres. Nada é desnecessário. Os instrumentos respiram com a voz. Assim como o canoeiro-remo-canoa complementam o rio, humanizam-no, a tríade Vidal-Kátia-sons humaniza as vibrações do ar. Kátia teria que 'nascer' Vidal (que entende o silêncio e o som em cada nuança), para serem ambos uma única alma expressiva desse canto terra." Dércio Marques - para o encarte do CD.

Dércio tem razão, esse canto é terra, caminho já trilhado por cantoras como Diana Pequeno e Marlui Miranda e que jamais se esgota. Basta prestar atenção, os sons que da terra emanam estão aí e permanecerão para arrebatar as novas gerações, na linha perene do tempo, como aconteceu com a bela Kátia Teixeira.

Destaco "Passarinheiro", canção gravada por muita gente, interpretação em que Kátia empresta seu brilho, tornando-a mais uma novidade.

O Homem Traça diz: ROAM!



Passarinheiro

terça-feira, 3 de março de 2015

Saber sobre viver - Priscila Ermel - 1985

Postagem original: 15/03/2008


01 - Cega Cigana
Priscila Ermel
02 - Se dilata o coração
Priscila Ermel
03 - Cavaleiro Andante
Priscila Ermel - Aniça Barrak
04 - Mensageiro
Priscila Ermel
05 - Floresta
Priscila Ermel
06 - O cântico da Terra - hino do lavrador
Priscila Ermel - Cora Coralina
07 - Meia noite
Priscila Ermel
08 - Joana Louca
Priscila Ermel
09 - Saber sobre viver
Priscila Ermel

Músicos

Luciano Di Segni Gafanhoto - Adriana Maresca - João Geraldo - Cabral Lobato - Jorge Peña - Sérgio Chica - Edmund Raas - Kátia Guedes - Benjamim Gonçalves - Sérgio Henriques - Juan Rossi - Angelino Bozzini - João Maurício Galindo - Benedito Solano - Dinho Nascimento - Erivaldo - Brasa - Anan Maria Chamorro - A.C.

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Priscila Ermel é cantora, compositora, arranjadora e pesquisa etnomusicologia. Este é o seu primeiro LP, gravado de forma independente em 1985, tem composições muito bem trabalhadas e conta com arranjos e instrumentação muito sofisticados, além da intervenção de sons ambientais e tema indígena na faixa "Floresta". Em 1989 atuou como produtora musical do programa Bem Brasil e tem participação em diversas trilhas sonoras para cinema e TV.

Destaco a musicalização do poema de Cora Coralina, "Cântico da Terra", faixa que conta ainda com depoimentos de Cora gravados em 1983.


O Homem Traça diz: ROAM!



Cântico da Terra - hino do lavrador

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Belchior - 1974




01 - Mote & Glosa 
02 - A Palo Seco 
03 - Senhor Dono da casa 
04 - Bebelo 
05 - Máquina I 
06 - Todo sujo de batom 
07 - Passeio 
08 - Rodagem 
09 - Na hora do almoço 
10 - Cemitério 
11 - Máquina II

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Belchior, na verdade é Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes. Natural de Sobral (CE), nasceu em 26 de outubro de 1946. Cantou em feiras e poetou como repentista na infância. Foi programador de rádio em Sobral, depois, em Fortaleza, foi seminarista, estudou Filosofia e Humanidades. Abandonou a Medicina no quarto ano de estudos, em 1971, para se dedicar à música. Fez parte do agrupamento conhecido por Pessoal do Ceará, com  Ednardo, Fagner, Rodger Rogério, Teti, Cirino, entre outros.

Até 1970 concorreu em festivais de música no Nordeste, em 1971, já no Rio de Janeiro, venceu o IV Festival Universitário da MPB, com a canção "Na Hora do Almoço", cantada por Jorge Melo e Jorge Teles. A mesma cancão de estreia em disco, a mesma que foi cantada por Fagner sem os devidos créditos no LP "Canteiros". Em São Paulo, compôs trilhas para curtas metragens.

Em 1972 Elis Regina gravou canção "Mucuripe", notabilizando Belchior nacionalmente. Mas foi atuando em espaços diversos como escolas, teatros, hospitais, penitenciárias, fábricas e televisão, que Belchior reuniu condições de gravar esse seu primeiro LP, hoje uma raridade de oferta cara na web.

O disco contém a raiz do Belchior que nos embalou nos anos 70 com a sua voz agreste, as letras reflexivas e sua inquebrantável rebeldia.

O Homem Traça diz: ROAM!



Na hora do almoço

domingo, 4 de janeiro de 2015

Folia de Reis no Rio de Janeiro - 1981



Penitentes de Santa Maria
01- Marcha
02- Chegada Profecia Anunciação
03- Brincadeira do Palhaço
04- Despedida

João Lopes Israel (mestre)
José Diniz (Presidente)
Ronaldo Silva (Palhaço)

Estrela de Jacó Anunciada por Balaão
05- Chegada
06- Profecia Anunciação
07- Brincadeira dos palhaços
08- Despedida

José Moreira (Mestre)
Sandoval F. da Silva (Presidente)
Antônio S. de Oliveira (Palhaço)
João Vital da Silva (Palhaço)

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Esse Traça que vos escreve, tentando dar algumas pistas sobre os discos encaixados nessas prateleiras virtuais, nem de longe se arvora um brincante ou especialista na cultura tradicional. É por extrema admiração que entre um disco de rock, jazz ou MPB, também trago em minha coleção LPs da cultura tradicional. Embora hoje sejam mais fáceis de achar, penso que os registros são muito raros, nunca há gravação disponível o bastante para dar conta da imensa diversidade da cultural tradicional brasileira.

Embora meu ateísmo seja deveras arraigado, chamam-me atenção as diversas manifestações ligadas ao sagrado, seja de tradição afro, européia ou indígena, invariavelmente misturas ao cristianismo católico. A saudação ao nascimento de Jesus, por exemplo, tem nos dias 5 e 6 de janeiro grande fartura de manifestações de norte a sul do país, a  Folia de Reis é apenas uma delas.

Apesar das conformações religiosas, a tradição dos folguedos católicos se distingue por sempre flertar com a vida concreta (profana?). Notem que nos versos das brincadeiras de Palhaço tanto saúdam Jesus quanto criticam as condições difíceis da vida dos trabalhadores. Seja na forma (dança, canto, vestimentas, representação), seja no conteúdo há o germe libertário da inventividade popular. Arrisco a afirmar que isso tudo se contrapõe ao que exige o mercado, pois não há padrão e a criação segue se transformando viva: cada folia, cada palhaço, cada mestre têm a sua peculiaridade. Esse elemento é o que justifica a distância da indústria cultural, a qual, grosso modo, tende a padornizar o popular ao gosto das multinacionais, dos especuladores, tornando tudo semente estéril como as da Monsanto.

O Homem Traça diz: ROAM!



Brincadeira do Palhaço
Penitentes de Santa Maria