Músicos Radamés Gnattali - Chiquinho do Acordeon - Paulinho da Viola - Maurício Carrilho - Joel Nascimento - Beto Cazes - Zé Menezes - Joaquim Santos - Dazinho - Luiz Otávio Braga - José Alves da Silva - Nelson de Macedo - João Daltro de Almeida - Márcio Eymard Mallar
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LP gravado por ocasião dos 80 anos de Radamés, tem participações especialíssimas do Chiquinho do Acordeon, Paulinho da Viola, Tom Jobim e Zé Menezes, além da Camerata Carioca e o Brasil Quarteto. O evento contou com a publicação de um libreto com arranjos do Radamés.
1 - No Morro da Casa Verde Adoniran Barbosa 2 - Vide verso meu endereço Adoniran Barbosa 3 - Tocar na banda Adoniran Barbosa 4 - Malvina Adoniran Barbosa 5 - Não quero entrar Adoniran Barbosa 6 - Samba italiano Adoniran Barbosa 7 - Triste Margarida (Samba Do Metrô) Adoniran Barbosa 8 - Mulher, patrão e cachaça Adoniran Barbosa - Oswaldo Molles 9 - Pafunça Adoniran Barbosa - Oswaldo Molles 10 - Samba do Arnesto Adoniran Barbosa - Alocin 11 - Conselho de mulher Adoniran Barbosa - Oswaldo Molles - João Belarmino dos Santos 12 - Joga a chave Adoniran Barbosa , Oswaldo França
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Reproduzo o texto da contracapa, assinado por Antônio Cândido.
"Adoniran Barbosa é um grande compositor e poeta popular, expressivo como poucos; mas não é Adoniran nem Barbosa, e sim João Rubinato, que adotou o nome de um amigo funcionário do Correio e o sobrenome de um compositor admirado. A ideia foi excelente, porque um artista inventa antes de mais nada a sua própria personalidade; e porque, ao fazer isto, ele exprimiu c realidade paulista do italiano recoberto pela terra e do brasileiro das raízes europeias. Adoniran Barbosa é um paulista de cerne que exprime a sua terra com a força da imaginação alimentada pelos heranças necessárias de fora.
Já tenho lido que ele usa uma língua misturada de italiano e português. Não concordo. Da mistura, que é o sal de nossa terra, Adoniran colheu a flor e produziu uma obra radicalmente brasileira, em que as melhores cadências do samba e da canção, alimentadas inclusive pelo terreno fértil dos Escolas, se choram com naturalidade às deformações normais de português brasileiro, onde Ernesto vira Amesto, em cuja casa nós fumo e não encontremo ninguém, exatamente como por todo esse pais. Em São Paulo, hoie, o italiano está na filigrana.
A fidelidade à música e à fala do povo permitiram a Adoniran exprimir a sua Cidade de modo completo e perfeito. São Paulo muda muito, e ninguém é capaz de dizer aonde irá. Mas a cidade que nossa geração conheceu (Adoniran é de 1910) foi a que se sobrepôs à velha cidadezinha caipira, entre 1900 e 1950; e que desde então vem cedendo lugar a uma outra, transformada em vasta aglomeração de gente vinda de toda parte. A nossa cidade, que substituiu a São Paulo estudantil e provinciana, foi a dos mestres-de-obra italianos e portugueses, dos arquitetos de inspiração neo clássica, floral neo colonial, em camadas sucessivas. São Paulo dos palacetes franco libaneses do Ipiranga, das vilas uniformes do Brás, das casas meio francesas de Higienópolis, do salada da Avenida Paulista. São Paulo da 25 de Março dos sírios, da Caetano Pinto dos espanhóis, das Rapaziadas do Brás, — na qual se apurou um novo modo cantante de falar português, como língua geral na convergência dos dialetos peninsulares e do baixo contínuo vernáculo. Esta cidade que está acabando, que já acabou com a garoa, os bondes o trem da Cantareira, o Triângulo, as cantinas do Bexiga, Adoniran não a deixará acabar, porque graças a ele ela ficará, misturada vivamente com a nova, mas, como o quarto do poeta, também "intacto, boiando no ar".
A sua poesia e a sua música são ao mesmo tempo brasileiras em geral e paulistanas em particular. Sobretudo quando entram (quase sempre discretamente) as indicações de lugar, para nos porem no Alto da Mooca, na Casa Verde, na Avenida São João, na 23 de Maio, no Brás genérico, no recente metrô, no antes remoto Jaçanã. Quando não há esta indicação, a lembrança de outras composições, a atmosfera lírica cheia de espaço que é a de Adoniran, nos fazem sentir por onde se perdeu Inês ou onde o desastrado Papai Noel da chaminé estreita foi comprar Bala Mistura: nalgum lugar de São Paulo. Sem falar que o único poema em italiano deste disco nos põe no seu âmago, sem necessidade de localização.
Com os seus firmes 65 anos de magro, Adoniran é o homem da São Paulo entre as duas guerras, se prolongando na que surgiu como jiboia fuliginosa dos vales e morros para devorá-la, lírico e sarcástico, malicioso e logo emocionado, com o encanto insinuante da sua anti voz rouca, o chapeuzinho de aba quebrada sobre a permanência do laço de borboleta dos outros tempos, ele é a voz da Cidade. Talvez a borboleta seja mágica; talvez seja a mariposa que senta no prato das lâmpada e se transforma na carne noturna das mulheres perdidas. Talvez João Rubinato não exista, porque quem existe é o mágico Adoniran Barbosa, vindo dos carreadores de café para inventar no plano do arte a permanência da sua cidade e depois fugir, com ela e conosco, para o terra da poesia, ao apito fantasmal do trenzinho perdido da Cantareira."
Sergio Kafejian 4 - Diastema Oliver Schneller 5 - Janela para o lago Silvio Ferraz 6 - Águas Marinhas Miguel Azguime 7 - Quando Se Muda A Paisagem... Rodrigo Lima 8 - Araés
Roberto Victorio I. Lagoa Dos Pássaros Oblíquos
9 - II. Embocaduras 10 - III. Toroari
Músicos Fábio Cury - Luiz Afonso Montanha - Guillaume Bourgogne - Pedro Gadelha - Cassia Carrascoza - Alberto Kanji - Heloisa Meirelles - Johannes Gramsch - Diogo Maia - Silvio Catto - Elissa Cassini - Simona Cavuoto - Nikolay Genov - Alexandre Ficarelli - Charles Augusto - Heri Brandino - Lídia Bazarian - Horácio Gouveia - Carlos Freitas - Adenilson Telles - Peter Pas - Martin Tuksa
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A Camerata Aberta é um ensemble brasileiro de renome, criado em 2010, especializado na interpretação, divulgação e ensino de música contemporânea dos séculos XX e XXI, frequentemente tocando obras inéditas de compositores brasileiros. Quer saber mais? Leia aqui.
Um tanto de rock pauleira, coisas da minha juvenilidade. Curiosamente, esse disco me vem à memória quando assisto à animação "Irmão do Jorel", de Juliano Enrico. Sempre me pergunto se a banda em que Nico toca, liderada por Carlos Felino e integrada por Reginaldo, a famigerada "Cuecas em Chamas", seria inspirada pelo grupo Patrulha do Espaço.
1 - Paraíso Perdido Francisco Mário 2 - Princípio Real Francisco Mário 3 - Choro Nacional Francisco Mário 4 - Bossa Velha Francisco Mário 5 - Choro Grave Francisco Mário 6 - 1964 Francisco Mário 7 - 1968 Francisco Mário 8 - Balada Negra Francisco Mário 9 - Valsa Relativa Francisco Mário 10 - Diretas Francisco Mário
Músicos
Jaques Morelenbaum - David Chew - Nayram Pessanha - Francisco Mário - Paulo Bosisio - Paulo Keuffer - Wendy Rolfe
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Francisco Mário de Sousa, conhecido também como Chico Mário (1948 -1988), foi um compositor e violonista brasileiro importante no cenário musical brasileiro, entre os anos 1970 e 1980. Assim como os irmãos Henfil (cartunista) e Betinho (sociólogo) em suas áreas de atuação, trouxe para a música as suas reflexões e preocupações sociais e políticas sobre o Brasil marcado pela fratura autoritária da ditadura cilvil-militar. A suíte presente nesse LP apresenta a perspectiva do músico sobre a história dessa nação, entre a invasão colonizadora e o processo de redemocratização ocorrido a partir de meados dos anos 1980.