segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Jards Macalé - 1972



1 - Farinha do desprezo
Capinan - Jards Macalé
2 - Vinheta Vapor Barato
Jards Macalé - Waly Salomão
3 - Revendo amigos
Jards Macalé - Waly Salomão
4 - Mal secreto
Jards Macalé - Waly Salomão
5 - 78 Rotações
Capinan - Jards Macalé
6 - Movimento dos barcos
Capinan - Jards Macalé
7 - Meu amor me agarra & geme & treme & chora & mata
Capinan - Jards Macalé
8 - Let's play that
Jards Macalé - Torquato Neto
9 -  Farrapo humano
Luiz Melodia
A morte
Gilberto Gil
10 - Hotel das estrelas
Duda - Jards Macalé

Músicos
Jards Macalé - Lanny Gordin - Tutty Moreno

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Esse disco figura já há algum tempo entre os mais cultuados da Música Popular Brasileira, o LP de estreia de Jards -  após o compacto duplo Só Morto. Em suas dez faixas é unânime o êxito, fundindo o samba, o rock e o jazz. Isso não se dá à toa, Jards produzira discos lapidares como Transa, Gal Legal e Gal Fatal. E mesmo Lanny e Tutty já tinham experiência acumulada com o jazz e do samba-jazz, o que garantiu a boa química para todo o disco. Sim, esse é um LP para curtir de cabo a rabo!

Outro destaque são as letras feitas por nomes como Torquato, Capinan e Waly Salomão. Muito longe de libelos românticos, como já vi escrito por aí, suas metáforas retratam a tensão do momento histórico brasileiro. Em 1972, a ditadura estava no pico da repressão sob o Governo Médice. O aparato repressivo agia em grande escala, diversos militantes que combatiam a ditadura foram presos, torturados e mortos nesse período. Portanto, a imagem da mulher amada pode facilmente ser substituída pela figura da pátria dilacerada por botas, paus de arara, tanques e metralhadoras. Aliás, esse artifício metafórico foi usado por muitos outros músicos populares nesse mesmo ano, Sérgio Sampaio que o diga com seu bloco na rua.

Jards tomou partido, militara no Rio de Janeiro (tenho testemunho de um velho combatente que fez segurança pra esse moço numa atividade de colagem de cartazes contra o regime no fim dos anos 60). Outra prova dessa posição de combate foi a organização do Show em comemoração do aniversário da declaração dos direitos do Homem (1973), que veio ser registrado em disco só em 1979 (LP Banquete dos Mendigos) quando o regime começou o processo de "abertura".

O Homem Traça diz: ROAM!

   

Mal Secreto

3 comentários:

Anônimo disse...

Este disco se define por uma única expressão: obra-prima.
Élcio

Anônimo disse...

Meu, Deus, quanta bosta!!!

Homem Traça disse...

Nada como as divergências que essa humilde prateleira provoca! Tendo a concordar com o companheiro Élcio, assim, somamos dois votos contra a lombriga anônima.
Abraço a todos!