domingo, 10 de maio de 2015

Erva Cidreira - Doroty Marques - 1980

Originalmente postado em 29 de dezembro de 2007



1 - Arreuni
Chico Maranhão
Erva cidreira 
Introduçao "Arreuni" Baseada em música de Doroty 
2 - Mineirinha 
Raul Torres 
3 - Lua Sertaneja 
Adauto Santos - Gilgerto Abrão Jacob 
4 - Umbuzeiro
Elomar 
5 - Cavalo cansado 
Sérgio Habibe 
6 - As flores do meu jardim 
Ricardo Vilas 
7 - Inté as porteira do céu 
Hélio Contreras
8 - Parcelada 
Elomar 
9 - Vim de longe - Castelo de areia 
Darlam Marques 
10 - Pequenina 
Adaptação do "Folclore de Morretes" (Paraná) 

Músicos 

Dércio Marques - Zé gomes - Silvano - Elomar - Geraldo - Luiz Duarte - Paulinho Pedra azul - Quinteto Armorial: Antônio José Madureira, Edilson Eulálio, Antônio Carlos Nóbrega, Fernando Farias, Fernando Torres Barbosa.

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"Não é difícil vê-los, são feixes de longas folhas verdes que teimam em acompanhar as linhas dos trens, como a esperança que brota do abandono. Estão nos quintais sem cerca, nas ruas de pouco trânsito, nos fundos preguiçosos dos quintais de minas. Folha que a um só tempo é rebeldia e doçura, remédio dos despossuídos , erva teimosa que por mais que as pesadas rodas de ferro decepem, por mais que o sol seque, pode peerder a cor, mas, se fervida, não perde o gosto." Por Doroty Marques no encarte.

Doroty Marques tem seu primeiro LP "Semente" gravado em 1978. Em 1980, aparece com "Erva Cidreira", repetindo a dose de encanto, misturando as tradições da terra ao canto forte de quem sabe que a única solução para as mazelas do sistema de exploração do homem pelo homem é "Arreuni".

Doroty Marques e seu irmão Dércio Marques disputaram em 1997 o Prêmio Sharp de Música. Eles foram indicados na categoria música infantil pelo disco "Mojolear", uma produção independente que contou com a participação de mil crianças. Atualmente Doroty vive em São José dos Campos e desenvolve projetos artístico-educacionais, além de dirigir uma escola de arte para crianças carentes no Rio do Peixe, em São José.

Homem Traça diz: ROAM!


Arreuni

domingo, 3 de maio de 2015

Amora - Renato Teixeira - 1979


01 - Amora
Renato Teixeira
02 - Cavalo Bravo
Renato Teixeira
03 - Mato Dentro
Renato Teixeira
04 - Canta Moçada
Tonico, Nhô Fio e Nonô Basílio
05 - Antônia (Todas as Crianças do Mundo)
Renato Teixeira
06 - A Primeira Vez que Eu Fui ao Rio
Renato Teixeira
07 - Morro da Imaculada
Renato Teixeira
08 - Madrugadas de 68
Renato Teixeira
09 - Sina de Violeiro
Renato Teixeira
10 - Antes da Guerra da Coréia
Renato Teixeira

Músicos
Carlão de Souza - Sérgio Mineiro - Rodolfo Grani - Oswaldinho do Acordeom - Dudu Pontes - Marcinho Werneck - Papete - Luiz Roberto de Oliveira - Nelson Ayres - Amilson Godoy

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O Homem Traça diz: ROAM

 
Amora
Romaria - Renato Teixeira - 1978
Postagem original: 19/04/2008


01 - Vira (No meu Quintal)
Renato Teixeira 02 - AlforgeRenato Teixeira
03 -
Viola malvadaRenato Teixeira
04 -
Sessenta léguas num diaRenato Teixeira - "Seo" Chico
05 -
ArraialRenato Teixeira
06 -
Eu e Ney sentados na ponteRenato Teixeira
07 -
RomariaRenato Teixeira
08 -
Olhos profundosRenato Teixeira
09 -
Agulha no palheiroRenato Teixeira
10 -
Lira raraRenato Teixeira
11 -
Antes que aconteçaRenato Teixeira 1
2 -
Sentimental eu ficoRenato Teixeira

Músicos
Arranjos: Natan
Violão e Viola: Natan
Bateria e Percussão: Dudu
Contrabaixo: Wilson
Acordeom: Caçulinha

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Renato Teixeira
de Oliveira, é natural de Santos, nascido a 20 de maio de 1945, passou sua adolescência em Taubaté, interior de São Paulo. Sua experiência com a música começa em casa, onde todos tocavam e cantavam, sendo alguns verdadeiramente músicos, como o avô Jango Teixeira, que tocava bombardine na banda. No final dos anos 60 veio para a cidade de São Paulo e entrou em contato com a estrutura dos festivais de MPB da Record. Em 1967 sua música "Dadá Maria" foi defendida por Gal Costa e Sílvio César, no disco do festival é Renato Teixeira - gravando pela primeira vez - quem divide o canto com Gal.

Renato Teixeira trabalhou com jingles por um bom tempo e, no início dos anos 70 participou
da Coleção Música Popular Centro Oeste/Sudeste do selo Marcos Pereira onde gravou algumas canções; entre elas: "Moreninha Se Eu Te Pedisse". Em parceria com Sérgio Mineiro criou o Banda Água (Carlão de Souza, Sérgio Mineiro, Rodolfo Grani, Oswaldinho do Acordeom, Dudu Pontes, Marcinho Werneck, Papete, Luiz Roberto de Oliveira, Nelson Ayres e Amilson Godoy) com o qual aprofundou sua assimilação da cultura caipira, projeto que durou muitos anos, até que em 1977 Elis Regina gravou Romaria com a participação do grupo. Desde então as portas se abriram para sua música e poesia, calcadas na no universo caipira.
Renato Teixeira é um reconhecido cantor e compositor brasileiro, tem em sue repertório sucessos como "Tocando em frente" (em parceria com Almir Sater, gravada também por Maria Bethânia) e "Frete" (tema de abertura do seriado Carga Pesada, da Rede Globo). Distante da música sertaneja pasteurizada pela indústria cultural, compôs "Rapaz caipira", como crítica à atual "música sertaneja", reforçando a expressão "música caipira". É um defensor aberto da autêntica música caipira, que ainda sobrevive apesar dos desvios da música sertaneja. Porém, sem se perder a essência, podemos encontrar em sua obra elementos do folk americano, referências urbanas e a influência do chamamé, estilo originário da Argentina e comum no Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

Destaco a canção "Sentimental eu fico", também gravada por Elis, para aqueles seres urbanos que sofrem de uma solitária e
perene nostalgia .

O Homem Traça diz: ROAM!


Sentimental eu fico

terça-feira, 21 de abril de 2015

Azul e Encarnado - Ednardo - 1977



01 - Está Escrito
Ednardo
02 - Pastora do Tempo
Ednardo
03 - Cantiga do Bicho da Cerca (Cantiga de Ninar)
Ednardo (adaptação)
04 - Somos Uns Compositores Brasileiros
Ednardo
05 - Boi Mandingueiro
Ednardo - Brandão
06 - Cheros e Choros
Ednardo
07 - Receita Da Felicidade
Ednardo
08 - Como É Difícil Não Ter 18 Anos
Ednardo
09 - Armadura
Ednardo
10 - Maresia
Ednardo
11 - Fênix
Ednardo
12 - Fio da Meada
Ednardo - Brandão
13 - Ideias
Ednardo


Músicos


Arranjos - Ednardo com ajuda de Mario Henrique e palpites de Robertinho de Recife e Túlio Mourão e Murilo 
Hareton Salvanini em "Maresia"
Violão e Percussões - Ednardo 
Guitarra / Viola Portuguesa / Cítara - Robertinho de Recife 
Baixo e Percussões - Mário Henrique 
Piano e Teclados (arp strings) - Túlio Mourão
Viola de 10 cordas em "Maresia" - Manassés
Flautas Transversal e Bloch - Isidoro Longano - (Bolão) 
Cordas - Elias Sion / Caetano Fineli / Gisbert Izquierdo / Jorge Salin/Mário Tomasoni / Felix Ferrer / Sbarro / Paulo Lattaro/Michel Perez / Yoshitame Fukuda / Loriano / Flábio Russo / Nadir / Renato
Bateria / Ritmos / Percussões - Murilo
Percussões - Mauro 
Coro: Coral da Eloá / Canarinhos Liceanos (de Petrópolis) 
Vozerio - Rosane Limaverde / Robertinho de Recife / Mário Henrique / Ednardo
Vocal - em "Pastora do Tempo" - Fagner

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Esse LP é um dos últimos que incluí em minha coleção. À época foi muito difícil achar esse e o LP Berro. Confesso que ao ouvi-lo inicialmente estranhei. Mas ao decifrar a poesia contestadora e as misturas entre tradição e experimentos, a criação provocadora de Ednardo me conquistou mais uma vez. 

Trago esse disco para as nossas prateleiras próximo do aniversário de 70 anos (17 de abril) desse fabuloso músico cearense. Não pude evitar a piada pronta com uma faixa dessa lavra: hoje, mais ainda, é difícil não ter 18 anos. Sobretudo se quisermos fugir do destino de " boi mandingueiro", antecessor da "vida de gado" do paraibano Zé Ramalho.

O Homem Traça diz: ROAM
Boi Mandingueiro

domingo, 12 de abril de 2015

Outros Sons - Eliete Negreiros - 1982
Postagem original: 27/12/2007


01 - Pipoca moderna*
Caetano Veloso e Sebastião Biano
02 - Outros sons*
Arrigo Barnabé e Carlos Rennó
03 - Peiote**
Paulo Barnabé
04 - Selvagem*
Gilberto Mifune
05 - Brinco***
Arrigo Barnabé
06 - Coração de árvore*
Robinson Borba
07 - Sonora garoa****
Passoca
08 - As time goes by***
Herman Hupfeld
09 - Begin the beguine***
Cole Porter
10 - Sol da meia-noite*****
Sonny Burke - Leonel Hampton - Jonhy Mercer
11 - Febre de amor******
Lauro Maia
12 - A felicidade perdeu meu endereço******
Pedro Caetano - Claudionor Cruz
13 - Espanto
Eliete Negreiros
14 - Fico Louco***
Itamar Assumpção
15 - Tudo Mudou*
Arrigo Barnabé

Músicos

Arrigo Barnabé, Roney Stella, Sidney Borgani, Daniel Misiuk, Gil Jardim, João Cuca, Reyes Gil, Roardo, Mané Silveira, Téco, Xico Guedes, Dudu Tucci, Paulo Barnabé, Eliana Fernandes, Nonô, Farias, Otávio Fialho, Tonho, Hlena Akiko Imasato, Glauco Masahiro Imasato, Renato Lemos, Passoca, Odete Negreiros, Azael, Bozo Barretti, Betão Caldas, Regina Porto, Lelo Nazário, Rodolfo Stroeter, Biafra, Gilmar, Boccato, Manoel da Cuíca, Gilberto da Conceição, Irineu, A. Carlos, Ruriá Duprat, Baldo bersolato, Roberto, Táuri, Felix Wagner.

Arranjos: Arrigo Barnabé*, Paulo Barnabé**, Otávio Fialho***, Eliete e Passoca****, Lelo Nazario*****, Bozo Barretti ******

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"Cantora paulista, freqüentou o Conservatório de Música na infância, mas acabou formando-se em filosofia pela USP. Sem deixar de lado seu interesse pela música popular, viajou pelo México e Estados Unidos na década de 70, atuando como cantora de grupos de música brasileira. De volta ao Brasil, em 1982 lançou o LP "Outros Sons" pelo selo Vôo Livre, com produção de Arrigo Barnabé e estética voltada para a chamada "vanguarda paulista", movimento de que foi coroada musa por alguns críticos." Fonte

Embora a produção do Arrigo Barnabé seja muito marcante nesse disco, a participação de outros arranjadores e compositores tradicionais da música brasileira e do Jazz dão uma cara de busca com um pé no passado e outro no futuro. Ainda hoje soa ousado pela mistura da experimentação das fusões.

Destaco "Sonora garoa", uma moda do violeiro Passoca descrevendo a Metrópole, canção que tanto embalou minhas tardes no trabalho, ouvindo-a na programação Rádio USP dos anos oitenta.

O Homem Traça diz: ROAM!
 

Sonora Garoa

domingo, 8 de março de 2015

Lira do Povo - Kátya Teixeira - 2004



1 - Ayvu
Kátya Teixeira
2 - Alegria Da Criação / Adeus Oh Serra Da Lapa
José Afonso
3 - Canto de Fé/ Eu sou da lira
Domínio Público - Márcia Accioly - Celso Machado
4 - Maracatu de Brejão dos Negros
Domínio Público
5 - Cantiga Beiradeira
Kátya Teixeira - Juh Vieira
6 - Senhora Rainha/ Sabiá piô/Vila Nova/ Guerrear
Domínio Público 
7 - Rainha das Águas/ Canoa Branca
Vidal França - Rainha das Águas DP/ Adaptação: Kátya Teixeira - Fernando Lona
8 - Meu Canarinho
Domínio Público
9 - Desejo
Kátya Teixeira
10 - Você vai lá pro sertão/ Língua Trovador
Eudes Fraga - Rafael Altério/ Domínio Público
11 - De Kekeke
Domínio Público
12 - Joaninha
Luís Perequê
13 - Estrela D´Alva
Domínio Público
14 - Tava Durumindo/ Candombe de Jequitibá
Domínio Público
15 - Tá Caindo Fulô/ Balainho De Fulô/ Adeus, Adeus/ Qu...
Domínio Público
16 - A Rosa Também Se Muda 
Domínio Público

Músicos

Marquinhos - Cristiano R. T. Bicudo - Dércio Marques - Doroty Marques - Kodo - Pedro Sôssego -Ney Couteiro - Manoel Pacífico - Rodrigo y Castro - Samir - Carol - Mazé - Vidal França - Juh Vieira - Noel Andrade - Daniela Lasalvia - Carmem Pinheiro - Marcelo Pretto - André Venegas - Barbatuques - Fernando Barboza - Barbatuques - Thomas Rohrer - Stênio Mendes - Regina - Leandro - Crianças de Paracambi 

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Lira do Povo é o segundo disco da Kátia Teixeira, que nesse álbum virou Kátya Teixeira. É um trabalho pautado pelas cantorias tradicionais Brasil a dentro. Pretende ser um retrato sonoro das vivências e pesquisas de Kátya em cinco anos de andanças por comunidades e mestres mantenedores das culturas populares. Esse trabalho tem a contribuição de músicos consagrados e mestres da cultura popular. Em 2005 o disco foi indicado ao Prêmio Tim de Música para as categorias de melhor cantora, melhor cantora de voto popular e melhor cd regional. Em nossa modesta opinião, Kátya Teixeira é uma das compositoras e intérpretes da música brasileira das mais vigorosas, autênticas, tão grandiosa como o legado cultural acumulado por nosso povo.

Com tantas recriações para o cancioneiro de Domínio Público presentes no disco, destaco uma composição da moça, faixa instrumental, definida assim nas palavras da autora: "desejo, nasceu do desejo de liberdade e paixão. Galope livre por essas terras tão desconhecidas e tão nossas..."

O Homem Traça diz: ROAM!



Desejo

Katxerê - Kátia Teixeira - 1997
Postagem original de 28/07/2008


01 - Katxerê
Kátia Teixeira - Vidal França - Mazé
02 - Kararaô
Kátia Teixeira
03 - Aluarados
Vidal França - Karina França
04 - Mãe Áurea
Refrão Folclórico - Versos adaptados por Vidal França
05 - Brincando de roda
Kátia Teixeira - Luis Carlos Bahia
06 - A Lua girou
Folclore BA - Adap. Zé do Norte
07 - Fonte Motriz
Kátia Teixeira
08 - Dia de festa
Irene Portela
09 - Nas teias da renda
Kátia Teixeira - Cátia de França - L. C. Bahia
10 - Passarinheiro
Jean Garfunkel - Pratinha
11 - Alagoano
Kátia Teixeira - Eliezer Teixeira
12 - Rebuliço
Seutônio Sarmento
13 - Anauê
Kátia Teixeira - Vidal França
14 - Chapada dos Guimarães
Renato Garcia
15 - Marianinha
Vidal França - João Bá
16 - Nove Luas
Ney Courteiro - Ekton Silva

Músicos
Cássia Maria - Cláudia Lemos - Daniela Lasalvia - Gabriel Levy - Laura Mac - Lincoln Makiyama - Marcos da Silva - Mazé - Ney Couteiro - Renato Garcia - Rodrigo - Vidal França - Yara Castro

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"Com o devido respeito, Vidal França e Kátia Teixeira entrosam-se perfeitamente. Uma unidade 'zen' de canto e arranjo. O arranjo (canta) e o canto insinua-se arranjo, justo, certo, preciso em unissidade com o devido silêncio. Kátia acompanha Vidal desde menina, nascida de um casal de músicos que se dedica à canção da terra e tem nome de flor do mato. A 'sincronincidência' aqui, dos dois seria inevitável. Digo: um plasmando e expressão do outro, numa lapidação de pura essência. É a simplicidade que Vidal obtém para transmitir a essência deste canto instintivo de Kátia; os timbres exatos dos instrumentos como extensão exata do timbre da voz. A voz, vozes, instrumentos, completam-se aqui, com uma unidade monolítica. Observe que voz e base completam-se num só brilho e emoção da voz que chama, por assim dizer, os timbres. Nada é desnecessário. Os instrumentos respiram com a voz. Assim como o canoeiro-remo-canoa complementam o rio, humanizam-no, a tríade Vidal-Kátia-sons humaniza as vibrações do ar. Kátia teria que 'nascer' Vidal (que entende o silêncio e o som em cada nuança), para serem ambos uma única alma expressiva desse canto terra." Dércio Marques - para o encarte do CD.

Dércio tem razão, esse canto é terra, caminho já trilhado por cantoras como Diana Pequeno e Marlui Miranda e que jamais se esgota. Basta prestar atenção, os sons que da terra emanam estão aí e permanecerão para arrebatar as novas gerações, na linha perene do tempo, como aconteceu com a bela Kátia Teixeira.

Destaco "Passarinheiro", canção gravada por muita gente, interpretação em que Kátia empresta seu brilho, tornando-a mais uma novidade.

O Homem Traça diz: ROAM!



Passarinheiro

terça-feira, 3 de março de 2015

Saber sobre viver - Priscila Ermel - 1985
Postagem original: 15/03/2008




01 - Cega Cigana
Priscila Ermel
02 - Se dilata o coração
Priscila Ermel
03 - Cavaleiro Andante
Priscila Ermel - Aniça Barrak
04 - Mensageiro
Priscila Ermel
05 - Floresta
Priscila Ermel
06 - O cântico da Terra - hino do lavrador
Priscila Ermel - Cora Coralina
07 - Meia noite
Priscila Ermel
08 - Joana Louca
Priscila Ermel
09 - Saber sobre viver
Priscila Ermel

Músicos

Luciano Di Segni Gafanhoto - Adriana Maresca - João Geraldo - Cabral Lobato - Jorge Peña - Sérgio Chica - Edmund Raas - Kátia Guedes - Benjamim Gonçalves - Sérgio Henriques - Juan Rossi - Angelino Bozzini - João Maurício Galindo - Benedito Solano - Dinho Nascimento - Erivaldo - Brasa - Anan Maria Chamorro - A.C.

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Priscila Ermel é cantora, compositora, arranjadora e pesquisa etnomusicologia. Este é o seu primeiro LP, gravado de forma independente em 1985, tem composições muito bem trabalhadas e conta com arranjos e instrumentação muito sofisticados, além da intervenção de sons ambientais e tema indígena na faixa "Floresta". Em 1989 atuou como produtora musical do programa Bem Brasil e tem participação em diversas trilhas sonoras para cinema e TV.

Destaco a musicalização do poema de Cora Coralina, "Cântico da Terra", faixa que conta ainda com depoimentos de Cora gravados em 1983.


O Homem Traça diz: ROAM!




Cântico da Terra - hino do lavrador

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Belchior - 1974




01 - Mote & Glosa 
02 - A Palo Seco 
03 - Senhor Dono da casa 
04 - Bebelo 
05 - Máquina I 
06 - Todo sujo de batom 
07 - Passeio 
08 - Rodagem 
09 - Na hora do almoço 
10 - Cemitério 
11 - Máquina II

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Belchior, na verdade é Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes. Natural de Sobral (CE), nasceu em 26 de outubro de 1946. Cantou em feiras e poetou como repentista na infância. Foi programador de rádio em Sobral, depois, em Fortaleza, foi seminarista, estudou Filosofia e Humanidades. Abandonou a Medicina no quarto ano de estudos, em 1971, para se dedicar à música. Fez parte do agrupamento conhecido por Pessoal do Ceará, com  Ednardo, Fagner, Rodger Rogério, Teti, Cirino, entre outros.

Até 1970 concorreu em festivais de música no Nordeste, em 1971, já no Rio de Janeiro, venceu o IV Festival Universitário da MPB, com a canção "Na Hora do Almoço", cantada por Jorge Melo e Jorge Teles. A mesma cancão de estreia em disco, a mesma que foi cantada por Fagner sem os devidos créditos no LP "Canteiros". Em São Paulo, compôs trilhas para curtas metragens.

Em 1972 Elis Regina gravou canção "Mucuripe", notabilizando Belchior nacionalmente. Mas foi atuando em espaços diversos como escolas, teatros, hospitais, penitenciárias, fábricas e televisão, que Belchior reuniu condições de gravar esse seu primeiro LP, hoje uma raridade de oferta cara na web.

O disco contém a raiz do Belchior que nos embalou nos anos 70 com a sua voz agreste, as letras reflexivas e sua inquebrantável rebaldia.

O Homem Traça diz: ROAM!



Na hora do almoço

domingo, 4 de janeiro de 2015

Folia de Reis no Rio de Janeiro - 1981



Penitentes de Santa Maria
01- Marcha
02- Chegada Profecia Anunciação
03- Brincadeira do Palhaço
04- Despedida

João Lopes Israel (mestre)
José Diniz (Presidente)
Ronaldo Silva (Palhaço)

Estrela de Jacó Anunciada por Balaão
05- Chegada
06- Profecia Anunciação
07- Brincadeira dos palhaços
08- Despedida

José Moreira (Mestre)
Sandoval F. da Silva (Presidente)
Antônio S. de Oliveira (Palhaço)
João Vital da Silva (Palhaço)

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Esse Traça que vos escreve, tentando dar algumas pistas sobre os discos encaixados nessas prateleiras virtuais, nem de longe se arvora um brincante ou especialista na cultura tradicional. É por extrema admiração que entre um disco de rock, jazz ou MPB, também trago em minha coleção LPs da cultura tradicional. Embora hoje sejam mais fáceis de achar, penso que os registros são muito raros, nunca há gravação disponível o bastante para dar conta da imensa diversidade da cultural tradicional brasileira.

Embora meu ateísmo seja deveras arraigado, chamam-me atenção as diversas manifestações ligadas ao sagrado, seja de tradição afro, européia ou indígena, invariavelmente misturas ao cristianismo católico. A saudação ao nascimento de Jesus, por exemplo, tem nos dias 5 e 6 de janeiro grande fartura de manifestações de norte a sul do país, a  Folia de Reis é apenas uma delas.

Apesar das conformações religiosas, a tradição dos folguedos católicos se distingue por sempre flertar com a vida concreta (profana?). Notem que nos versos das brincadeiras de Palhaço tanto saúdam Jesus quanto criticam as condições difíceis da vida dos trabalhadores. Seja na forma (dança, canto, vestimentas, representação), seja no conteúdo há o germe libertário da inventividade popular. Arrisco a afirmar que isso tudo se contrapõe ao que exige o mercado, pois não há padrão e a criação segue se transformando viva: cada folia, cada palhaço, cada mestre têm a sua peculiaridade. Esse elemento é o que justifica a distância da indústria cultural, a qual, grosso modo, tende a padornizar o popular ao gosto das multinacionais, dos especuladores, tornando tudo semente estéril como as da Monsanto.

O Homem Traça diz: ROAM!



Brincadeira do Palhaço
Penitentes de Santa Maria